terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ativação de saberes prévios

  

EIXO TEMÁTICO VALOR DA VIDA Obra sugerida A vida não é útil, de Ailton Krenak (leitura obrigatória para o vestibular UNICAMP) Proposta de redação 

● Gênero: Dissertação Argumentativa (modelo ENEM)

● Tema: “Caminhos para a valorização dos recursos naturais no Brasil”

● Projete a capa do livro com o título: “A vida não é útil” 

● Peça que os estudantes observem três elementos: 

○ Título: que ideia provoca? O que significa vida “útil” ou “inútil”? 

○ Capa: o que a imagem sugere sobre o tema? Natureza? coletividade? desaceleração? 

○ Autor: quem é Ailton Krenak e o que isso já indica (povos originários, crítica à sociedade, defesa da natureza, outros modos de vida). 

● Em duplas ou trios, os estudantes devem discutir questões como:

○ “Que tipo de tese você acha que o livro defende?” 

○ “O que o autor pode estar questionando com esse título?” 

○ “Que temas do ENEM podem dialogar com esse livro?” 

○ “Quais expectativas ou hipóteses vocês têm sobre os argumentos do autor?” 

○ Obs: a fim de auxiliá-los, coloque algumas perguntas na lousa.

 ● Peça que os trios transformem suas previsões em perguntas provocadoras para acompanhar a leitura, como: ○ “Vivemos para quê?” 

○ “Produtividade é critério para valor da vida?” 

○ “Que consequências sociais surgem da ideia de utilidade?” 

○ “Como a ruptura com a natureza impacta nossa existência?”

Redação

Período: 02/02/2026 a 13/03/2026

COLETÂNEA.


Texto I


Diga quem você é, me diga

Me fale sobre a sua estrada

Me conte sobre a sua vida


Tira a máscara que cobre o seu rosto

Se mostre e eu descubro se eu gosto

Do seu verdadeiro jeito de ser


Ninguém merece ser só mais um bonitinho

Nem transparecer, consciente, inconsequente

Sem se preocupar em ser adulto ou criança


O importante é ser você

Mesmo que seja estranho, seja você

Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro

Mesmo que seja estranho, seja você

Mesmo que seja



PITTY. Máscara. Disponível em: www.letras.mus.br/pitty/80314/. Acesso em: 26 jan. 2026. Fragmento.


Texto II


Dia a dia, e a partir dos dois pólos de minha inteligência, o moral e o intelectual, fui me aproximando cada vez mais dessa verdade, cuja descoberta parcial me condenara a uma ruína tão deplorável: que o homem não é autenticamente um, mas autenticamente dois.

Vi que, das duas naturezas que guerreavam no campo de minha consciência, mesmo que se pudesse dizer acertadamente que eu era uma das duas, era apenas porque eu era radicalmente ambas. E desde muito cedo, até mesmo antes de o curso de minhas descobertas científicas ter começado a sugerir a mais nua possibilidade de semelhante milagre, aprendi a insistir com prazer, como um doce sonho em vigília, na ideia de separar esses elementos. Eu dizia a mim mesmo: se cada um pudesse ser alojado em identidades separadas, a vida se veria livre de tudo o que é insuportável.


STEVENSON, Robert Louis. O médico e o monstro. Tradução de Marcos Marcionilo. 1ª ed. digital. São Paulo: Melhoramentos, 2014. Fragmento adaptado.


Texto III

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.




E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.




E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda,

Que se chama o coração.


PESSOA, Fernando. In: Poesias. Antologia organizada por Sueli Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2010.


.ENUNCIADO.


Imagine que você está participando de um projeto de publicações literárias sobre o tema “A vida por trás das máscaras”. A ideia do projeto é explorar a diferença entre identidade pública (o que mostramos) e identidade privada (o que guardamos).

Na coletânea, há três provocações para pensar essa dualidade:


O texto I questiona as máscaras sociais e convoca a revelar o “verdadeiro eu”;
O texto II discute a ideia de que o ser humano pode viver como se fosse “dois”, com forças internas em conflito;
O texto III sugere que, muitas vezes, o que se expressa (ou se mostra) não coincide totalmente com o que se sente.




Com base nessas referências, sua tarefa é escrever uma crônica narrada em primeira pessoa que reflita sobre a diferença entre identidade pública e identidade privada a partir de uma situação simples do cotidiano.



Em seu texto, você deve:


a) Descrever a situação cotidiana com detalhes concretos (cenário, personagens, ações, diálogos);

b) A partir da cena, refletir sobre o que é mostrado (público) e o que é escondido (privado), e por quê;

c) Concluir com um final sugestivo (uma pergunta, uma imagem ou uma reflexão que permaneça com o leitor).


Além disso, não esqueça de:


d) Manter o foco narrativo em 1ª pessoa durante todo o texto;

e) Dar um título à sua crônica.

Redação - 3ª série do E.M



Período: 02/02/2026 a 13/03/2026

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema Caminhos para a valorização dos recursos naturais no Brasil, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.


COLETÂNEA

Texto I

Não se come dinheiro

Quando falo de humanidade não estou falando só do Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos baleia, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. […]

É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra tirar a teta da nossa boca e dizer: “Respirem agora, quero ver”. Isso denuncia o artifício do tipo de vida que nós criamos, porque chega uma hora que você precisa de uma máscara, de um aparelho para respirar, mas, em algum lugar, o aparelho precisa de uma usina hidrelétrica, nuclear ou de um gerador de energia qualquer. E o gerador também pode apagar, independentemente do nosso decreto, da nossa disposição. Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar por alguns minutos, a gente morre. […]

Ninguém come dinheiro. Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciões do povo Lakota falar sobre o coronavírus. […] Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: “Quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. p. 7-9.


Texto II


O bioma da Mata Atlântica, o mais devastado do Brasil desde o início da história do país, é atualmente o único a ter uma legislação específica para sua proteção. No entanto, o desmatamento ainda é uma ameaça - e compromete toda a cadeia de recursos naturais disponíveis para a vida e o desenvolvimento do planeta.

“Há uma falsa ideia de abundância de que o Brasil tem muitos recursos naturais, e que isso seria infinito. E que para um modelo de desenvolvimento bastante ultrapassado, a floresta, em tese, atrapalha”, diz Malu Ribeiro, diretora da Fundação SOS Mata Atlântica. “Veja que hoje é o contrário do que a gente precisa fazer: o Brasil detém a maior biodiversidade do planeta, e pouco valoriza essa biodiversidade”.

“E a água reflete diretamente a perda da floresta. Em uma emergência climática, a água é o recurso natural que mais espelha os impactos do clima, seja por seca ou enchentes”, argumenta.

BRITO, Letícia. CNN Brasil. 17 ago. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/ha-uma-falsa-ideia-de-abundancia-de-recursos-naturais-diz-especialista/. Acesso em: 5 dez. 2025.




Texto III

Desmatamento no Brasil em 2024



Fonte: Relatório Anual do Desmatamento no Brasil - Rede MapBiomas

MAPBIOMAS. RAD2024: Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2024. São Paulo: MapBiomas, 2025. Disponível em: https://alerta.mapbiomas.org/rad-2024/infograficos/. Acesso em: 5 dez. 2025. Adaptado.


Texto IV



LAERTE. A grande ficha. Instagram: @laertegenial. Acesso em: 5 dez. 2025.

Ativação de saberes prévios

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