terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Redação

Período: 02/02/2026 a 13/03/2026

COLETÂNEA.


Texto I


Diga quem você é, me diga

Me fale sobre a sua estrada

Me conte sobre a sua vida


Tira a máscara que cobre o seu rosto

Se mostre e eu descubro se eu gosto

Do seu verdadeiro jeito de ser


Ninguém merece ser só mais um bonitinho

Nem transparecer, consciente, inconsequente

Sem se preocupar em ser adulto ou criança


O importante é ser você

Mesmo que seja estranho, seja você

Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro

Mesmo que seja estranho, seja você

Mesmo que seja



PITTY. Máscara. Disponível em: www.letras.mus.br/pitty/80314/. Acesso em: 26 jan. 2026. Fragmento.


Texto II


Dia a dia, e a partir dos dois pólos de minha inteligência, o moral e o intelectual, fui me aproximando cada vez mais dessa verdade, cuja descoberta parcial me condenara a uma ruína tão deplorável: que o homem não é autenticamente um, mas autenticamente dois.

Vi que, das duas naturezas que guerreavam no campo de minha consciência, mesmo que se pudesse dizer acertadamente que eu era uma das duas, era apenas porque eu era radicalmente ambas. E desde muito cedo, até mesmo antes de o curso de minhas descobertas científicas ter começado a sugerir a mais nua possibilidade de semelhante milagre, aprendi a insistir com prazer, como um doce sonho em vigília, na ideia de separar esses elementos. Eu dizia a mim mesmo: se cada um pudesse ser alojado em identidades separadas, a vida se veria livre de tudo o que é insuportável.


STEVENSON, Robert Louis. O médico e o monstro. Tradução de Marcos Marcionilo. 1ª ed. digital. São Paulo: Melhoramentos, 2014. Fragmento adaptado.


Texto III

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.




E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.




E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda,

Que se chama o coração.


PESSOA, Fernando. In: Poesias. Antologia organizada por Sueli Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2010.


.ENUNCIADO.


Imagine que você está participando de um projeto de publicações literárias sobre o tema “A vida por trás das máscaras”. A ideia do projeto é explorar a diferença entre identidade pública (o que mostramos) e identidade privada (o que guardamos).

Na coletânea, há três provocações para pensar essa dualidade:


O texto I questiona as máscaras sociais e convoca a revelar o “verdadeiro eu”;
O texto II discute a ideia de que o ser humano pode viver como se fosse “dois”, com forças internas em conflito;
O texto III sugere que, muitas vezes, o que se expressa (ou se mostra) não coincide totalmente com o que se sente.




Com base nessas referências, sua tarefa é escrever uma crônica narrada em primeira pessoa que reflita sobre a diferença entre identidade pública e identidade privada a partir de uma situação simples do cotidiano.



Em seu texto, você deve:


a) Descrever a situação cotidiana com detalhes concretos (cenário, personagens, ações, diálogos);

b) A partir da cena, refletir sobre o que é mostrado (público) e o que é escondido (privado), e por quê;

c) Concluir com um final sugestivo (uma pergunta, uma imagem ou uma reflexão que permaneça com o leitor).


Além disso, não esqueça de:


d) Manter o foco narrativo em 1ª pessoa durante todo o texto;

e) Dar um título à sua crônica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ativação de saberes prévios

   EIXO TEMÁTICO VALOR DA VIDA Obra sugerida A vida não é útil, de Ailton Krenak (leitura obrigatória para o vestibular UNICAMP) Proposta de...