terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ativação de saberes prévios

  

EIXO TEMÁTICO VALOR DA VIDA Obra sugerida A vida não é útil, de Ailton Krenak (leitura obrigatória para o vestibular UNICAMP) Proposta de redação 

● Gênero: Dissertação Argumentativa (modelo ENEM)

● Tema: “Caminhos para a valorização dos recursos naturais no Brasil”

● Projete a capa do livro com o título: “A vida não é útil” 

● Peça que os estudantes observem três elementos: 

○ Título: que ideia provoca? O que significa vida “útil” ou “inútil”? 

○ Capa: o que a imagem sugere sobre o tema? Natureza? coletividade? desaceleração? 

○ Autor: quem é Ailton Krenak e o que isso já indica (povos originários, crítica à sociedade, defesa da natureza, outros modos de vida). 

● Em duplas ou trios, os estudantes devem discutir questões como:

○ “Que tipo de tese você acha que o livro defende?” 

○ “O que o autor pode estar questionando com esse título?” 

○ “Que temas do ENEM podem dialogar com esse livro?” 

○ “Quais expectativas ou hipóteses vocês têm sobre os argumentos do autor?” 

○ Obs: a fim de auxiliá-los, coloque algumas perguntas na lousa.

 ● Peça que os trios transformem suas previsões em perguntas provocadoras para acompanhar a leitura, como: ○ “Vivemos para quê?” 

○ “Produtividade é critério para valor da vida?” 

○ “Que consequências sociais surgem da ideia de utilidade?” 

○ “Como a ruptura com a natureza impacta nossa existência?”

Redação

Período: 02/02/2026 a 13/03/2026

COLETÂNEA.


Texto I


Diga quem você é, me diga

Me fale sobre a sua estrada

Me conte sobre a sua vida


Tira a máscara que cobre o seu rosto

Se mostre e eu descubro se eu gosto

Do seu verdadeiro jeito de ser


Ninguém merece ser só mais um bonitinho

Nem transparecer, consciente, inconsequente

Sem se preocupar em ser adulto ou criança


O importante é ser você

Mesmo que seja estranho, seja você

Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro

Mesmo que seja estranho, seja você

Mesmo que seja



PITTY. Máscara. Disponível em: www.letras.mus.br/pitty/80314/. Acesso em: 26 jan. 2026. Fragmento.


Texto II


Dia a dia, e a partir dos dois pólos de minha inteligência, o moral e o intelectual, fui me aproximando cada vez mais dessa verdade, cuja descoberta parcial me condenara a uma ruína tão deplorável: que o homem não é autenticamente um, mas autenticamente dois.

Vi que, das duas naturezas que guerreavam no campo de minha consciência, mesmo que se pudesse dizer acertadamente que eu era uma das duas, era apenas porque eu era radicalmente ambas. E desde muito cedo, até mesmo antes de o curso de minhas descobertas científicas ter começado a sugerir a mais nua possibilidade de semelhante milagre, aprendi a insistir com prazer, como um doce sonho em vigília, na ideia de separar esses elementos. Eu dizia a mim mesmo: se cada um pudesse ser alojado em identidades separadas, a vida se veria livre de tudo o que é insuportável.


STEVENSON, Robert Louis. O médico e o monstro. Tradução de Marcos Marcionilo. 1ª ed. digital. São Paulo: Melhoramentos, 2014. Fragmento adaptado.


Texto III

Autopsicografia


O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.




E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.




E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda,

Que se chama o coração.


PESSOA, Fernando. In: Poesias. Antologia organizada por Sueli Barros Cassal. Porto Alegre: L&PM, 2010.


.ENUNCIADO.


Imagine que você está participando de um projeto de publicações literárias sobre o tema “A vida por trás das máscaras”. A ideia do projeto é explorar a diferença entre identidade pública (o que mostramos) e identidade privada (o que guardamos).

Na coletânea, há três provocações para pensar essa dualidade:


O texto I questiona as máscaras sociais e convoca a revelar o “verdadeiro eu”;
O texto II discute a ideia de que o ser humano pode viver como se fosse “dois”, com forças internas em conflito;
O texto III sugere que, muitas vezes, o que se expressa (ou se mostra) não coincide totalmente com o que se sente.




Com base nessas referências, sua tarefa é escrever uma crônica narrada em primeira pessoa que reflita sobre a diferença entre identidade pública e identidade privada a partir de uma situação simples do cotidiano.



Em seu texto, você deve:


a) Descrever a situação cotidiana com detalhes concretos (cenário, personagens, ações, diálogos);

b) A partir da cena, refletir sobre o que é mostrado (público) e o que é escondido (privado), e por quê;

c) Concluir com um final sugestivo (uma pergunta, uma imagem ou uma reflexão que permaneça com o leitor).


Além disso, não esqueça de:


d) Manter o foco narrativo em 1ª pessoa durante todo o texto;

e) Dar um título à sua crônica.

Redação - 3ª série do E.M



Período: 02/02/2026 a 13/03/2026

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema Caminhos para a valorização dos recursos naturais no Brasil, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.


COLETÂNEA

Texto I

Não se come dinheiro

Quando falo de humanidade não estou falando só do Homo sapiens, me refiro a uma imensidão de seres que nós excluímos desde sempre: caçamos baleia, tiramos barbatana de tubarão, matamos leão e o penduramos na parede para mostrar que somos mais bravos que ele. Além da matança de todos os outros humanos que a gente achou que não tinham nada, que estavam aí só para nos suprir com roupa, comida, abrigo. Somos a praga do planeta, uma espécie de ameba gigante. […]

É incrível que esse vírus que está aí agora esteja atingindo só as pessoas. Foi uma manobra fantástica do organismo da Terra tirar a teta da nossa boca e dizer: “Respirem agora, quero ver”. Isso denuncia o artifício do tipo de vida que nós criamos, porque chega uma hora que você precisa de uma máscara, de um aparelho para respirar, mas, em algum lugar, o aparelho precisa de uma usina hidrelétrica, nuclear ou de um gerador de energia qualquer. E o gerador também pode apagar, independentemente do nosso decreto, da nossa disposição. Estamos sendo lembrados de que somos tão vulneráveis que, se cortarem nosso ar por alguns minutos, a gente morre. […]

Ninguém come dinheiro. Hoje de manhã eu vi um indígena norte-americano do conselho dos anciões do povo Lakota falar sobre o coronavírus. […] Pois, repetindo as palavras de um ancestral, ele dizia: “Quando o último peixe estiver nas águas e a última árvore for removida da terra, só então o homem perceberá que ele não é capaz de comer seu dinheiro”.

KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. p. 7-9.


Texto II


O bioma da Mata Atlântica, o mais devastado do Brasil desde o início da história do país, é atualmente o único a ter uma legislação específica para sua proteção. No entanto, o desmatamento ainda é uma ameaça - e compromete toda a cadeia de recursos naturais disponíveis para a vida e o desenvolvimento do planeta.

“Há uma falsa ideia de abundância de que o Brasil tem muitos recursos naturais, e que isso seria infinito. E que para um modelo de desenvolvimento bastante ultrapassado, a floresta, em tese, atrapalha”, diz Malu Ribeiro, diretora da Fundação SOS Mata Atlântica. “Veja que hoje é o contrário do que a gente precisa fazer: o Brasil detém a maior biodiversidade do planeta, e pouco valoriza essa biodiversidade”.

“E a água reflete diretamente a perda da floresta. Em uma emergência climática, a água é o recurso natural que mais espelha os impactos do clima, seja por seca ou enchentes”, argumenta.

BRITO, Letícia. CNN Brasil. 17 ago. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/ha-uma-falsa-ideia-de-abundancia-de-recursos-naturais-diz-especialista/. Acesso em: 5 dez. 2025.




Texto III

Desmatamento no Brasil em 2024



Fonte: Relatório Anual do Desmatamento no Brasil - Rede MapBiomas

MAPBIOMAS. RAD2024: Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2024. São Paulo: MapBiomas, 2025. Disponível em: https://alerta.mapbiomas.org/rad-2024/infograficos/. Acesso em: 5 dez. 2025. Adaptado.


Texto IV



LAERTE. A grande ficha. Instagram: @laertegenial. Acesso em: 5 dez. 2025.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Redação do mês de setembro




PROPOSTA DE REDAÇÃO


Proposta de produção de texto dissertativo-argumentativo modelo Enem sobre “Combate ao trabalho infantil no Brasil”


COLETÂNEA


Texto I

A Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) n.º 138 define o trabalho infantil como aquele que é perigoso e prejudicial para a saúde e desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças e que interfere com a sua escolarização – seja porque as priva desta, seja porque as conduz ao abandono precoce da escola, seja porque as obriga a conciliar a frequência escolar com longas horas de trabalho. A Convenção n.º 182 define como as piores formas de trabalho infantil o trabalho forçado ou obrigatório, como a utilização, o recrutamento ou a oferta de uma criança para fins de exploração sexual ou atividades ilícitas e trabalhos suscetíveis de prejudicar a saúde, a segurança ou moralidade da criança.

O trabalho infantil constitui uma violação dos direitos humanos fundamentais. A Declaração sobre Princípios e Direitos Fundamentais afirma que todos os países membros da OIT, como o Brasil, estão vinculados a respeitar e promover os quatro princípios e direitos fundamentais no trabalho, entre eles, a “abolição efetiva do trabalho infantil”.

Organização Internacional do Trabalho, 20 nov. 2018. Disponível em: https://www.ilo.org/pt-pt/resource/trabalho-infantil#:~:text=A%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20da%20OIT%20(N,seja%20porque%20as%20conduz%20ao. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.



Texto II


O Brasil possui uma legislação avançada sobre a vedação ao trabalho infantil e a proteção ao adolescente trabalhador. A Constituição Federal de 1988 determina a “proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos” (art. 7º, inciso XXXIII). A Consolidação das Leis do Trabalho proíbe o trabalho noturno, perigoso e insalubre, bem como o trabalho realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social, ou em horários e locais que não permitam a frequência à escola.

Manual de perguntas e respostas sobre Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador. Ministério do Trabalho e Emprego, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2023/junho/Manualdecombateaotrabalhoinfantiledeproteoaoadolescentetrabalhador.pdf. Acesso em: 04 abr. 2025.


Texto III








Texto IV


O Brasil tem um histórico de escravidão que influenciou profundamente a visão sobre o trabalho infantil. Durante o período escravocrata, crianças de origem africana e indígena eram forçadas a trabalhar desde cedo. Essa prática deixou um legado cultural que ainda persiste em algumas regiões do país. Em muitas famílias brasileiras, especialmente nas áreas rurais e nas periferias urbanas, o trabalho infantil é visto como uma forma necessária de complementar a renda familiar. A pobreza e a desigualdade social fazem com que muitas famílias dependam do trabalho de seus filhos para sobreviver.

Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/trabalho-infantil.htm. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.

TEXTO V


“Eu comecei a trabalhar com 8 anos”, conta Felipe Caetano, hoje com 17 anos. “E foi graças ao Nuca (Núcleo de Cidadania de Adolescentes, ação da UNICEF, o Fundo das Nações Unidas para a Infância) que pude sair dessa situação de trabalho infantil.

No princípio, eu trabalhava catando latinhas e garrafas com meus primos. Eu tinha 8 anos de idade. Depois, comecei a trabalhar também de garçom, dos 10 aos 14 anos. Trabalhava em barraca de praia, carregando peixe, carregando bebida, carregando coco na praia o dia todo, às vezes das sete da manhã às sete da noite. Era um trabalho bastante cansativo, bastante puxado.




Com 12 anos, em 2014, comecei a participar do Nuca do meu município. Por meio do Nuca, pude perceber que aquilo ali não era certo. Era uma violação de direitos. Eu parei para pensar: ‘nossa, eu estou lutando pelos direitos de crianças e adolescentes, mas eu também estou trabalhando. Estou retirando meus próprios direitos. Estou tentando garantir os dos outros, mas os meus estão sendo tirados’. Isso eu tinha 13 para 14 anos. A partir daquele momento, eu disse ‘não vou mais trabalhar, e vou lutar para que outras crianças e adolescentes deixem de trabalhar também’.









ENUNCIADO




A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Combate ao trabalho infantil no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.


Reflexões iniciais e breves rascunhos de estudantes.....






REDAÇÃO DO MÊS DE SETEMBRO

PROPOSTA DE REDAÇÃO


Proposta de produção de texto dissertativo-argumentativo modelo Enem sobre “Valorização da produção audiovisual brasileira”


COLETÂNEA


Texto I

Quando um filme brasileiro ganha destaque em premiações internacionais, como o Oscar, o público e a mídia voltam os olhos para a produção nacional. Um dos exemplos mais recentes disso é o longa Ainda Estou Aqui (2024), ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2025, o qual teve mais de cinco milhões de espectadores. No entanto, essa atenção costuma ser passageira, e a valorização do cinema local volta a cair logo após o término da temporada de premiações.

A falta de investimento na distribuição e na publicidade de filmes nacionais contribui para muitas produções passarem despercebidas. Enquanto isso, diversos filmes internacionais recebem grande destaque na mídia e nos cinemas, e as produções brasileiras frequentemente têm exibições limitadas.


Sendo assim, em dezembro de 2024, o Governo Federal retomou com a “Cota de Tela“, uma lei que torna obrigatória a exibição de filmes nacionais nas salas de cinemas. A medida tem como principal objetivo tornar a competição mais justa em relação aos filmes estrangeiros e incentivar a produção audiovisual.


MAZOTI, Amanda. Além do Oscar. GeekPop News, 02 abr. 2025. Disponível em: https://geekpopnews.com.br/alem-do-oscar-por-que-o-cinema-nacional-ainda-nao-e-valorizado/. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.



Texto II


A resistência presente em um terço da população para assistir a filmes brasileiros no cinema reflete a complexidade da relação entre o cinema brasileiro e seu público. As raízes dessa problemática são antigas, e talvez a melhor explicação para ela esteja na “situação colonial” que foi descrita pelo crítico Paulo Emílio Salles Gomes. Essa condição pode ser resumida pela própria história do cinema nos países periféricos, onde “o hábito do cinema foi adquirido (...) pelo consumo de filmes estrangeiros”. No Brasil, além de enfrentar o domínio da produção de Hollywood, o cinema teve de lidar com uma outra hegemonia, a da televisão aberta que, por anos, reinou quase sozinha no mercado.


SOUZA, Ana Paula. Um terço da população ainda rejeita filme brasileiro.

Folha de São Paulo, 20 ago. 2021. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2021/08/um-terco-da-populacao-do-pais-ainda-rejeita-filme-brasileiro.shtml. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.

Texto III





O Globo, 2017. Disponível em: https://infograficos.oglobo.globo.com/cultura/a-quantidade-de-filmes-nacionais-lancados-no-cinema-ano-a-ano.html. Acesso em: 04 abr. 2025.




Texto IV


O cinema brasileiro tem uma história rica e diversificada, repleta de obras que abordam a cultura, a história e as questões sociais do país. No entanto, apesar da sua relevância, muitas produções nacionais enfrentam desafios para conquistar o público local e internacional.

A falta de valorização do cinema brasileiro pode ser atribuída a diversos fatores históricos, culturais e econômicos. Embora existam políticas públicas de incentivo, como a Ancine, o financiamento para as produções brasileiras é frequentemente limitado. Além disso, muitas vezes, o público brasileiro associa o cinema nacional a estereótipos como baixa qualidade técnica ou narrativas limitadas a comédias e temas sociais. Essa visão preconceituosa reduz o interesse pelas produções nacionais.
Ainda assim, o cinema brasileiro possui um enorme potencial. Investimentos consistentes, uma distribuição mais ampla e um público mais engajado são fundamentais para mudar esse cenário.

Por que o cinema brasileiro não é valorizado. Ecologia 2017, 3 fev. 2025. Disponível em: https://www.ecologia2017.com.br/por-que-o-cinema-brasileiro-nao-e-valorizado/. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.


ENUNCIADO


A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Valorização da produção audiovisual brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Arquitetura hostil: entre a busca pela ordem e a segregação social



Texto I







Texto II

O espaço público é um local de destaque para aprimorar a arte do convívio. Sua configuração espacial e seus elementos físicos desempenham um papel importante nesse cenário, pois estão intimamente ligados à capacidade de uma cidade em demonstrar sua habilidade em acolher e receber de forma positiva. No entanto, em certas áreas, a presença de uma arquitetura hostil é evidente, criando barreiras entre diferentes classes sociais e, especialmente, afastando populações vulneráveis.

A arquitetura hostil é justificada por seus defensores como uma medida para evitar comportamentos indesejados, como o que é rotulado como “vadiagem”. Esse tipo de ambiente é cuidadosamente projetado para desencorajar o público a utilizar os espaços para atividades específicas. Em essência, busca-se controlar o comportamento humano por meio dessa abordagem arquitetônica.

Habitability. Arquitetura hostil: a antítese da arquitetura. 19 jul. 2023. Disponível em: https://habitability.com.br/arquitetura-hostil/. Acesso em: 03 abr. 2025.

Texto III

No documentário “Arquitetura da Exclusão” (2010), o diretor potiguar Daniel Lima aborda os muros, visíveis e invisíveis, nos centros urbanos – o filme foca no morro Santa Marta, primeira favela a ser cercada por muros construídos pelo estado do Rio de Janeiro.

[...]

“Arquitetura hostil” se refere a estratégias de design urbano que utilizam elementos para restringir certos comportamentos nos espaços públicos, dificultar o acesso e a presença de pessoas, especialmente pessoas em situação de rua. Segundo o historiador especializado em arquitetura Iain Borden, citado pelo repórter Ben Quinn, a emergência deste estilo de arquitetura hostil data da década de 1990, nas gestões de um desenho urbano que sugere, segundo suas palavras, “que só somos cidadãos se estamos trabalhando ou consumindo bens diretamente”. Isto é, não trabalhar e não consumir quer dizer não poder estar presente como cidadão de uma cidade.

Há diversos exemplos de construções e objetos que podem “afastar ou excluir pessoas ‘indesejáveis ’”: cercas elétricas, arames farpados, grades no perímetro de praças e gramados, bancos públicos com larguras inferiores ao recomendado pelas normas de ergonomia, bancos curvados ou ainda assumindo geometrias irregulares, lanças em muretas e guarda-corpos. À medida que a arquitetura hostil afasta pessoas deixando áreas desertas, retroalimenta-se a sensação de insegurança urbana.

SAYURI, J. O que é arquitetura hostil e quais suas implicações no Brasil.





ENUNCIADO




Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa e apresentando proposta(s) de solução(ões), sobre o tema:



Arquitetura hostil: entre a busca pela ordem e a segregação social



“Desafios para a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro”



Texto I

Um incêndio de grandes proporções destruiu o acervo do Museu Nacional, na zona norte do Rio de Janeiro, em 2 de setembro de 2018. Especializado em história natural e mais antigo centro de ciência do País, o Museu Nacional completou 200 anos em junho em meio a uma situação de abandono. Não houve feridos. O diretor de Preservação do Museu Nacional do Rio de Janeiro, João Carlos Nara, afirmou que o incêndio causou um “dano irreparável” ao acervo e às pesquisas nacionais. De acordo com Nara, a equipe de administração do Museu Nacional aguardava o fim do período eleitoral para iniciar as obras de preservação da infraestrutura do prédio. “É tudo muito antigo. O sistema de água e o material, tudo tem muitos anos. Havia uma trinca nas laterais. Isso é uma ameaça constante”, disse o diretor. O Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é a mais antiga instituição científica do Brasil e um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas. Serviu como Palácio da família real portuguesa entre 1808 a 1821. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938.


TEXTO II


@NovaEscola, 17 ago. 2015. Disponível em: https://www.facebook.com/story.php?story_fbid=1015689548470777&id=110225312350543&_rdr. Acesso em: 02 abr. 2025.

Texto III

O Artigo 216 da Constituição Federal de 1988 conceitua patrimônio cultural como sendo os bens “de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

Nessa definição promovida pela Constituição, estão as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Patrimônio cultural. Iphan, [s.d.]. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/218. Acesso em: 27 mar. 2025.

Texto IV

Preservar o patrimônio histórico é uma preocupação global de extrema importância para salvaguardar a história e a cultura de uma sociedade. O patrimônio histórico representa um registro vívido do passado de uma sociedade, capturando sua história, cultura e desenvolvimento ao longo do tempo. Entretanto, a preservação desses bens enfrenta complexidades em um mundo em constante mutação. Um dos principais desafios na conservação do patrimônio histórico é a pressão decorrente da urbanização e do desenvolvimento. À medida que as cidades expandem e evoluem, muitos edifícios históricos enfrentam o risco de demolição ou modificações significativas para atender às demandas modernas. A conservação do patrimônio histórico não deve ser vista apenas como responsabilidade de autoridades e especialistas. A comunidade desempenha um papel fundamental na proteção de seu próprio patrimônio cultural. Conscientização pública, educação e envolvimento ativo da comunidade são elementos-chave para garantir a conservação a longo prazo.

Conservação do Patrimônio Histórico: desafios e estratégias para um futuro sustentável. Ingá Arquitetura e Restauro, 20 out. 2023. Disponível em: https://www.inga.arq.br/conteudo/inga-escreve-blog/Conservacao-Patrimonio-Historico-desafios-estrategias-futuro-sustentavel. Acesso em: 27 mar. 2025. Adaptado.

Texto V

Para a preservação do patrimônio histórico, há o desafio de analisar a relevância de um bem material ou imaterial a ponto de ele ser tombado para preservação. Esse processo demanda uma reflexão sobre o aspecto da identidade cultural local ou nacional, segundo a professora Silvia Maria do Espírito Santo, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e especialista em Museologia. “As identidades não são fixas, elas se adaptam a contextos culturais, políticos e principalmente econômicos, o que pode ameaçar a continuidade e a integridade dessas identidades.”

“O desprezo à nossa cultura e memória das coisas se caracteriza, antes de tudo, por uma pragmática da destruição. Essa forma de pensar é muito utilizada para caracterizar o adjetivo modernizar, envolve procedimentos que adotam a solução fácil”, afirma a especialista. Mas, para a professora, a preservação da identidade cultural de um povo pode ser alcançada através da conservação do patrimônio histórico que incorpora valores estéticos, éticos e artísticos de uma sociedade.

Segundo a professora, um dos principais desafios para a preservação dos bens culturais são as leis que protegem os patrimônios tombados. Silvia analisa a importância de uma legislação eficaz, que possa ser cumprida com o envolvimento da população e a vigilância das comunidades.

VALERI, J. O Brasil precisa de legislação atualizada para a proteção do seu patrimônio cultural. Jornal da USP, 26 jun. 2024. Disponível em: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/o-pais-precisa-de-legislacao-atualizada-para-a-protecao-do-seu-patrimonio-historico-e-cultural-do-pais-precisa-de-legislacao-atualizada/.

Acesso em: 27 mar. 2025. Adaptado.

ENUNCIADO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Desafios para a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Redação do mês de maio





Texto I

Para entender gentrificação imagine um bairro histórico em decadência, ou que apesar de estar bem localizado, é reduto de populações de baixa renda, portanto, desvalorizado. Lugares que não oferecem nada muito atrativo para fazer… Enfim, lugares que você não recomendaria o passeio a um amigo.

Imagine, porém, que de um tempo para cá, a estrutura deste bairro melhorou muito: aumentou a segurança pública e agora há parques, iluminação, ciclovias, novas linhas de transporte, ruas reformadas, variedade de comércio, restaurantes, bares, feiras de rua… Uma verdadeira revolução que traria muitos benefícios para os moradores da região, exceto que eles não podem mais morar ali.

É que, depois de todos esses melhoramentos, o valor do aluguel dobrou, a conta de luz triplicou e as idas semanais ao mercadinho da esquina ficaram cada vez mais caras, ou seja, junto com toda a melhora, o custo de vida subiu tanto que não cabe mais no orçamento dos atuais moradores. E o mais cruel de tudo é perceber que, enquanto o antigo morador procura um novo bairro, pessoas de maior poder aquisitivo estão indo morar no seu lugar.A gentrificação se apoia no discurso de “obras que beneficiam a todos” e não são motivadas pelo interesse público, mas sim pelo interesse privado, esse relacionado à especulação imobiliária. O processo é simples: suponha-se que o preço de venda de um imóvel num bairro degradado seja 80 mil. Porém, se este bairro estivesse completamente revitalizado, o mesmo imóvel poderia valer até 200 mil. Há, portanto, uma diferença de 150% entre o valor real e o valor potencial do mesmo imóvel. É exatamente nessa diferença que os investidores imobiliários enxergam a grande oportunidade para lucrar muito investindo pouco.

E De fato, existem especialistas que não “criminalizam” a gentrificação, por acreditar que esse é um processo decorrente da chamada “Sociedade Pós-Industrial”, na qual as relações capitalistas de consumo (demanda) ditam as relações de produção (oferta), e essa é uma condição natural e irreversível do nosso tempo. Estudos recentes realizados nos Estados Unidos, por exemplo, apontam que nem todos os moradores antigos de bairros gentrificados foram “expulsos” por conta da valorização imobiliária, mas, ao contrário, alguns conseguiram, por causa da gentrificação, ampliar suas rendas.

O debate é polêmico. No entanto, desconfiamos que a gentrificação é potencialmente mais nociva que saudável. Por se tratar de um processo típico de especulação imobiliária, a gentrificação precisa de muito investimento e respaldo do poder público para atender a uma demanda de interesse privado. Assim, a cidade, enquanto “coisa pública”, passa a ser planejada de acordo com a vontade do interesse privado, o que não necessariamente corresponde à vontade da população como um todo.



Emmanuel Costa. “O que é gentrificação e por que você deveria se preocupar com isso.” 04/04/2016. https://jornalggn.com.br/cidadania/. Acesso em: 10.09.2024. Adaptado.

Texto II

A gentrificação tem se tornado cada vez mais presente nas discussões sobre a ocupação urbana dos bairros nas cidades. É comum associar a transformação de determina das regiões, especialmente as mais antigas, a uma espécie de “gourmetização” dos espaços. Embora a premissa da gentrificação implique na renovação de áreas urbanas antes negligenciadas, essa transformação não ocorre sem consequências. Um dos principais aspectos controversos é a expulsão dos moradores originais, muitas vezes de baixa renda, que não conseguem acompanhar o aumento dos custos de moradia e estilo de vida impostos pelas mudanças.

Por um lado, a gentrificação pode trazer melhorias e renovação para áreas urbanas que antes estavam em declínio. O investimento de capital e a chegada de novos moradores com maior poder aquisitivo podem impulsionar a economia local, gerar empregos e melhorar a infraestrutura. Por outro lado, o encarecimento dos aluguéis e dos imóveis acaba por forçar as pessoas da comunidade a se mudarem para áreas mais afastadas, afetando o seu acesso à cidade e aos serviços. Essa realidade pode gerar segregação e aprofundar as desigualdades sociais. Há também os impactos ambientais. Um dos efeitos comuns é a redução das áreas verdes nos bairros, à medida que espaços abertos e parques são substituídos por construções densas.



“Gentrificação: a gourmetização do espaço urbano. Com impactos cada vez mais evidentes nas cidades, a gentrificação demanda soluções que conciliem desenvolvimento urbano e inclusão social”. Habitability. Acesso em: 01.06.2023. Adaptado.

Texto III

A aposentada Maria Juracy Aires, 69 anos, resiste a vender seu imóvel pois, quando entra no seu apartamento, em Curitiba, diz que seu sentimento é de afeto. Sua moradia vem sendo gradualmente depredada desde que uma construtora comprou todos os outros apartamentos do prédio no valor aproximado de R$350 mil. Maria Juracy Aires também recebeu propostas de compra, mas nunca demonstrou interesse em vender o seu apartamento, onde prefere desfrutar da sua aposentadoria. Sua história, segundo afirma, não está à venda. “O capitalismo é selvagem. Ele não respeita ninguém”, comenta.



Jess Carvalho. “Em ‘Aquarius’ da vida real, família protesta contra construtora que abandonou prédio no Cabral”. Plural Curitiba. Acesso em: 21.04.2024. Adaptado.



ENUNCIADO

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa e apresentando proposta(s) de solução(ões), sobre o tema:



A gentrificação urbana: entre os benefícios para as áreas urbanas e os malefícios para os moradores.

Redação do mês de maio





Texto II

Em pleno século XXI, o racismo e a discriminação racial ainda estão presentes na sociedade e nas relações de trabalho. “Quando essa prática se dá nos ambientes de trabalho, a Justiça do Trabalho atua, aplicando a lei. Quando comprovado o racismo, podem ser estabelecidas multas e sanções para o empregador que admite esse tipo de conduta e definidas indenizações”, descreve a presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministra Maria Cristina Peduzzi.

De acordo com o Observatório da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades no Trabalho da Smartlab, plataforma conjunta da OIT com o Ministério Público do Trabalho (MPT), há uma diferença de remuneração relacionada a sexo e raça no setor formal. Enquanto a média salarial de um homem branco, em 2017, foi de R$ 3,3 mil e a de uma mulher branca foi de R$ 2,6 mil, a de homens e mulheres negros foi de R$ 2,3 mil e R$ 1,8 mil, respectivamente. Também houve segregação ocupacional de negros em cargos de direção – estes compunham apenas 29% dos cargos. Segundo o IBGE, em 2019 os pretos ou pardos representavam 64,2% da população desocupada e 66,1% da população subutilizada. Além disso, o número de trabalhadores negros em ocupações informais era de 47,3%, enquanto o de brancos era de 34,6%.

O combate a todas as formas de discriminação é um dos objetivos fundamentais do Brasil, cristalizados no artigo 3º, inciso IV, da Constituição da República. Em relação ao ambiente laboral, o artigo 7º, inciso XXX, da Constituição da República proíbe diferenças salariais por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.

SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO DO TST. “Discriminação racial no ambiente de trabalho”.

Notícias do Tribunal Superior do Trabalho, 20 nov. 2020 Disponível em: https://tst.jus.br/-/especial-discrimina%C3%A7%C3%A3o-racial-no-ambiente-de-trabalho.

Acesso em: 25 fev. 2025. Adaptado.

ENUNCIADO

Imagine que você é um jornalista que, navegando pelas redes sociais, recentemente se deparou com o post do texto I no perfil de um órgão governamental especializado em questões relacionadas a direitos trabalhistas. O depoimento lido faz parte de uma série de vários outros enviados por pessoas negras ao perfil, as quais buscavam denunciar episódios de racismo vividos em seus ambientes de trabalho.

Para entender mais sobre o assunto, você decide fazer uma pesquisa na internet e chega ao texto II, o qual te causa indignação, já que você percebe que, embora existam diferentes leis para proteger trabalhadores negros, eles ainda são discriminados de diferentes formas. Por isso, você decide escrever um artigo de opinião para ser publicado no jornal em que você trabalha sobre racismo no local de trabalho, denunciando uma situação recorrente no Brasil.



Para escrever seu texto, você deve:

a) Explicar o que é racismo no local de trabalho;

b) Dar dois exemplos de como ele pode acontecer;

c) Sugerir uma forma de o problema ser evitado.



Para configurar adequadamente o gênero, lembre-se de:

d) Escrever seu texto em primeira pessoa;

e) Posicionar-se claramente sobre o tema;

f) Apresentar ao menos dois argumentos que sustentem seu posicionamento;

g) Empregar uma linguagem formal e adequada à norma-padrão da língua portuguesa.



Gênero Textual:

2º série – Proposta 4 – Artigo de opinião

domingo, 13 de abril de 2025

CONFLITOS HISTÓRICOS, DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS - 3ª serie do E.M

2º BIMESTRE

Leia

Obras sugeridas
1. A mulher de pés descalços, Scholastique Mukasonga.


2. Cartas ao meu vizinho palestino, Yossi Klein Halevi.


3. A visão das plantas, Djaimilia Pereira de Almeida.


4. As meninas, Lygia Fagundes Telles.

REDAÇÃO PAULISTA

Propostas de redação P3.(abril) Texto dissertativo-argumentativo – Provão Paulista:

“O combate à fome no Brasil: entre a responsabilidade do Estado e a atuação da sociedade civil”.

P4. (maio) Texto dissertativo-argumentativo – Provão Paulista: “Processo de gentrificação urbana”.

REDAÇÃO - ABRIL

Texto I

13 de maio. Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos escravos… (…) Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. (…) Estou escrevendo até passar a chuva, para eu ir lá no senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair… Eu tenho tanto dó dos meus filhos. Quando eles vê as coisas de comer eles brada: – Viva a mamãe! A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi o habito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gordura a Dona Ida. Ela não tinha. (…) … Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A Vera começou pedir comida. E eu não tinha. (…) Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos. E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome!

(Carolina Maria de Jesus. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10a ed. São Paulo: Ática, 2014, p. 30-32

Texto II


Uma pesquisa divulgada em 2022 afirma que 33 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar grave no Brasil. Os dados foram levantados pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional). De acordo com o levantamento, mais da metade da população brasileira (58,7% ou cerca de 125,2 milhões) vive com algum tipo de insegurança alimentar (IA). De acordo com a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, usada pela Rede Penssan, a insegurança alimentar ocorre quando a pessoa não tem acesso regular a alimentos e é dividida em 3 níveis:

• IA Leve – quando há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro, além de queda na qualidade adequada dos alimentos para não comprometer a quantidade;

• IA Moderada – quando há redução quantitativa no consumo de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação;

• IA Grave – quando há ruptura nos padrões de alimentação, resultante da falta de alimentos entre todos os moradores do domicílio, incluindo crianças. Nessa situação as pessoas passam a conviver com a fome.

(“33 milhões vivem insegurança alimentar grave no país, diz estudo”. www.poder360.com.br, 08.12.2022. Adaptado)

Texto III

A produção global atual de alimentos é mais do que suficiente para suprir as necessidades calóricas de cada um dos 7 bilhões de indivíduos da população mundial. Mas há uma séria deficiência no sistema de distribuição dos recursos necessários para se ter acesso à alimentação, fenômeno que acontece principalmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Essa deficiência está, acima de tudo, na construção da estrutura social que é extremamente desigual. Assim, as populações pobres têm recursos financeiros muito reduzidos, o que limita a compra de alimentos para consumo. A oferta de alimentos, tanto em quantidade quanto em variedade, é dirigida aos centros urbanos, que é onde há mais indivíduos com boas condições de poder aquisitivo. Contudo, é nessas localidades onde mais acontece o desperdício desses produtos. De fato, esse é um fator que agrava o cenário da insegurança alimentar. Em 2016, das 4 bilhões de toneladas métricas de comida produzida no mundo, um terço foi desperdiçado (1,3 bilhões de toneladas métricas). Existem dois principais padrões de desperdício determinados de acordo com a situação econômica dos países. Nos desenvolvidos, o processo normalmente está relacionado à sociedade civil, pois acontece nas mãos do consumidor final, quando a comida já está pronta, mas ela não é totalmente consumida, gerando os “restos” que são jogados fora. Já nos países em desenvolvimento, o desperdício ocorre em diferentes etapas antes. O alimento também é perdido durante a produção, quando a colheita não é utilizada ou é perdida por conta das condições precárias de armazenagem ou pelos agricultores não possuírem meios suficientes para transportar sua produção até os pontos de distribuição para venda.

(Erika Rizzo. “Fome no mundo: causas e consequências”. www.politize.com.br, 06.09.2017. Adaptado)

Texto IV

Embora seja relevante para combater a fome no Brasil, o assistencialismo imediato não substitui as políticas públicas a longo prazo, uma vez que a insegurança alimentar é um problema estrutural e não momentâneo. Além disso, as iniciativas particulares voltadas para ajudar os que passam fome podem tirar do Estado a responsabilidade de garantir a todos o direito à alimentação adequada. De acordo com a economista Tereza Campello, a insegurança alimentar precisa ser combatida, por exemplo, com o fortalecimento do salário mínimo, a geração de empregos formais, a execução de projetos de transferência de renda e a oferta de merenda escolar. A professora Maria Elisa Garavello, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, por sua vez, apontou os grupos de pessoas mais atingidas por esse problema – mães de família, pretos e pardos e a população rural. “O meio rural tem acesso à terra e ao mesmo tempo sofre de insegurança alimentar grave”, descreveu o que classificou como “um paradoxo”. Segundo a professora Thais Mauad, da Faculdade de Medicina da USP, não há como mapear ou quantificar a agricultura urbana, já que são várias as tipologias, desde o quintal de uma casa até uma horta comunitária, mas há inúmeros benefícios dessa prática, entre eles, a maior eficiência no suprimento de alimento, tanto na quantidade como na qualidade. A professora destaca que a agricultura urbana vem sendo utilizada por muitas pessoas para compor a renda e a própria alimentação.

(Moisés Dourado. “A fome não espera: são necessárias políticas públicas, além do assistencialismo”. https://jornal.usp.br, 12.05.2021. Adaptado)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa e apresentando proposta(s) de solução(ões), sobre o tema:


O combate à fome no Brasil: entre a responsabilidade do Estado e da sociedade civil


Como escrever um texto dissertativo-argumentativo modelo Vunesp? Para escrever um texto dissertativo-argumentativo, você pode estruturá-lo da seguinte maneira: 


1)Introdução: 


Contextualização do tema e exposição da tese (do ponto de vista sobre o tema). * Atenção: no caso da proposta de redação deste material, seu ponto de vista pode refletir um posicionamento com relação a um dos lados do tema. Ou seja, você pode deixar claro se o combate à fome é responsabilidade do Estado OU da sociedade civil e os porquês disso. Cada uma das razões apresentadas por você constituirá um argumento a ser desenvolvido. Dica adicional: na introdução, sempre empregue todas as palavras-chave do tema. No caso desta proposta: “combate”, “fome”, “Brasil”, “responsabilidade”, “Estado” e “sociedade civil”.


2) Desenvolvimento:


 Os argumentos que defendem seu ponto de vista sobre o tema são desenvolvidos com base em explicações, fatos, dados, relatos históricos, figuras de autoridade entre outras possibilidades. 


3) Conclusão: Elaboração de proposta de intervenção para solucionar a questão debatida no texto. A proposta deve apresentar os seguintes elementos: agente, ação, modo, efeito e detalhamento. Além disso, é fundamental que ela seja coerente com os argumentos apresentados no desenvolvimento do texto.


REDAÇÃO PAULISTA

 2ºB 3ºA 3ºB