quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Redação do mês de setembro




PROPOSTA DE REDAÇÃO


Proposta de produção de texto dissertativo-argumentativo modelo Enem sobre “Combate ao trabalho infantil no Brasil”


COLETÂNEA


Texto I

A Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) n.º 138 define o trabalho infantil como aquele que é perigoso e prejudicial para a saúde e desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças e que interfere com a sua escolarização – seja porque as priva desta, seja porque as conduz ao abandono precoce da escola, seja porque as obriga a conciliar a frequência escolar com longas horas de trabalho. A Convenção n.º 182 define como as piores formas de trabalho infantil o trabalho forçado ou obrigatório, como a utilização, o recrutamento ou a oferta de uma criança para fins de exploração sexual ou atividades ilícitas e trabalhos suscetíveis de prejudicar a saúde, a segurança ou moralidade da criança.

O trabalho infantil constitui uma violação dos direitos humanos fundamentais. A Declaração sobre Princípios e Direitos Fundamentais afirma que todos os países membros da OIT, como o Brasil, estão vinculados a respeitar e promover os quatro princípios e direitos fundamentais no trabalho, entre eles, a “abolição efetiva do trabalho infantil”.

Organização Internacional do Trabalho, 20 nov. 2018. Disponível em: https://www.ilo.org/pt-pt/resource/trabalho-infantil#:~:text=A%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20da%20OIT%20(N,seja%20porque%20as%20conduz%20ao. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.



Texto II


O Brasil possui uma legislação avançada sobre a vedação ao trabalho infantil e a proteção ao adolescente trabalhador. A Constituição Federal de 1988 determina a “proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos” (art. 7º, inciso XXXIII). A Consolidação das Leis do Trabalho proíbe o trabalho noturno, perigoso e insalubre, bem como o trabalho realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social, ou em horários e locais que não permitam a frequência à escola.

Manual de perguntas e respostas sobre Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador. Ministério do Trabalho e Emprego, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2023/junho/Manualdecombateaotrabalhoinfantiledeproteoaoadolescentetrabalhador.pdf. Acesso em: 04 abr. 2025.


Texto III








Texto IV


O Brasil tem um histórico de escravidão que influenciou profundamente a visão sobre o trabalho infantil. Durante o período escravocrata, crianças de origem africana e indígena eram forçadas a trabalhar desde cedo. Essa prática deixou um legado cultural que ainda persiste em algumas regiões do país. Em muitas famílias brasileiras, especialmente nas áreas rurais e nas periferias urbanas, o trabalho infantil é visto como uma forma necessária de complementar a renda familiar. A pobreza e a desigualdade social fazem com que muitas famílias dependam do trabalho de seus filhos para sobreviver.

Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/trabalho-infantil.htm. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.

TEXTO V


“Eu comecei a trabalhar com 8 anos”, conta Felipe Caetano, hoje com 17 anos. “E foi graças ao Nuca (Núcleo de Cidadania de Adolescentes, ação da UNICEF, o Fundo das Nações Unidas para a Infância) que pude sair dessa situação de trabalho infantil.

No princípio, eu trabalhava catando latinhas e garrafas com meus primos. Eu tinha 8 anos de idade. Depois, comecei a trabalhar também de garçom, dos 10 aos 14 anos. Trabalhava em barraca de praia, carregando peixe, carregando bebida, carregando coco na praia o dia todo, às vezes das sete da manhã às sete da noite. Era um trabalho bastante cansativo, bastante puxado.




Com 12 anos, em 2014, comecei a participar do Nuca do meu município. Por meio do Nuca, pude perceber que aquilo ali não era certo. Era uma violação de direitos. Eu parei para pensar: ‘nossa, eu estou lutando pelos direitos de crianças e adolescentes, mas eu também estou trabalhando. Estou retirando meus próprios direitos. Estou tentando garantir os dos outros, mas os meus estão sendo tirados’. Isso eu tinha 13 para 14 anos. A partir daquele momento, eu disse ‘não vou mais trabalhar, e vou lutar para que outras crianças e adolescentes deixem de trabalhar também’.









ENUNCIADO




A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Combate ao trabalho infantil no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.


Reflexões iniciais e breves rascunhos de estudantes.....






REDAÇÃO DO MÊS DE SETEMBRO

PROPOSTA DE REDAÇÃO


Proposta de produção de texto dissertativo-argumentativo modelo Enem sobre “Valorização da produção audiovisual brasileira”


COLETÂNEA


Texto I

Quando um filme brasileiro ganha destaque em premiações internacionais, como o Oscar, o público e a mídia voltam os olhos para a produção nacional. Um dos exemplos mais recentes disso é o longa Ainda Estou Aqui (2024), ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2025, o qual teve mais de cinco milhões de espectadores. No entanto, essa atenção costuma ser passageira, e a valorização do cinema local volta a cair logo após o término da temporada de premiações.

A falta de investimento na distribuição e na publicidade de filmes nacionais contribui para muitas produções passarem despercebidas. Enquanto isso, diversos filmes internacionais recebem grande destaque na mídia e nos cinemas, e as produções brasileiras frequentemente têm exibições limitadas.


Sendo assim, em dezembro de 2024, o Governo Federal retomou com a “Cota de Tela“, uma lei que torna obrigatória a exibição de filmes nacionais nas salas de cinemas. A medida tem como principal objetivo tornar a competição mais justa em relação aos filmes estrangeiros e incentivar a produção audiovisual.


MAZOTI, Amanda. Além do Oscar. GeekPop News, 02 abr. 2025. Disponível em: https://geekpopnews.com.br/alem-do-oscar-por-que-o-cinema-nacional-ainda-nao-e-valorizado/. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.



Texto II


A resistência presente em um terço da população para assistir a filmes brasileiros no cinema reflete a complexidade da relação entre o cinema brasileiro e seu público. As raízes dessa problemática são antigas, e talvez a melhor explicação para ela esteja na “situação colonial” que foi descrita pelo crítico Paulo Emílio Salles Gomes. Essa condição pode ser resumida pela própria história do cinema nos países periféricos, onde “o hábito do cinema foi adquirido (...) pelo consumo de filmes estrangeiros”. No Brasil, além de enfrentar o domínio da produção de Hollywood, o cinema teve de lidar com uma outra hegemonia, a da televisão aberta que, por anos, reinou quase sozinha no mercado.


SOUZA, Ana Paula. Um terço da população ainda rejeita filme brasileiro.

Folha de São Paulo, 20 ago. 2021. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2021/08/um-terco-da-populacao-do-pais-ainda-rejeita-filme-brasileiro.shtml. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.

Texto III





O Globo, 2017. Disponível em: https://infograficos.oglobo.globo.com/cultura/a-quantidade-de-filmes-nacionais-lancados-no-cinema-ano-a-ano.html. Acesso em: 04 abr. 2025.




Texto IV


O cinema brasileiro tem uma história rica e diversificada, repleta de obras que abordam a cultura, a história e as questões sociais do país. No entanto, apesar da sua relevância, muitas produções nacionais enfrentam desafios para conquistar o público local e internacional.

A falta de valorização do cinema brasileiro pode ser atribuída a diversos fatores históricos, culturais e econômicos. Embora existam políticas públicas de incentivo, como a Ancine, o financiamento para as produções brasileiras é frequentemente limitado. Além disso, muitas vezes, o público brasileiro associa o cinema nacional a estereótipos como baixa qualidade técnica ou narrativas limitadas a comédias e temas sociais. Essa visão preconceituosa reduz o interesse pelas produções nacionais.
Ainda assim, o cinema brasileiro possui um enorme potencial. Investimentos consistentes, uma distribuição mais ampla e um público mais engajado são fundamentais para mudar esse cenário.

Por que o cinema brasileiro não é valorizado. Ecologia 2017, 3 fev. 2025. Disponível em: https://www.ecologia2017.com.br/por-que-o-cinema-brasileiro-nao-e-valorizado/. Acesso em: 04 abr. 2025. Adaptado.


ENUNCIADO


A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Valorização da produção audiovisual brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Arquitetura hostil: entre a busca pela ordem e a segregação social



Texto I







Texto II

O espaço público é um local de destaque para aprimorar a arte do convívio. Sua configuração espacial e seus elementos físicos desempenham um papel importante nesse cenário, pois estão intimamente ligados à capacidade de uma cidade em demonstrar sua habilidade em acolher e receber de forma positiva. No entanto, em certas áreas, a presença de uma arquitetura hostil é evidente, criando barreiras entre diferentes classes sociais e, especialmente, afastando populações vulneráveis.

A arquitetura hostil é justificada por seus defensores como uma medida para evitar comportamentos indesejados, como o que é rotulado como “vadiagem”. Esse tipo de ambiente é cuidadosamente projetado para desencorajar o público a utilizar os espaços para atividades específicas. Em essência, busca-se controlar o comportamento humano por meio dessa abordagem arquitetônica.

Habitability. Arquitetura hostil: a antítese da arquitetura. 19 jul. 2023. Disponível em: https://habitability.com.br/arquitetura-hostil/. Acesso em: 03 abr. 2025.

Texto III

No documentário “Arquitetura da Exclusão” (2010), o diretor potiguar Daniel Lima aborda os muros, visíveis e invisíveis, nos centros urbanos – o filme foca no morro Santa Marta, primeira favela a ser cercada por muros construídos pelo estado do Rio de Janeiro.

[...]

“Arquitetura hostil” se refere a estratégias de design urbano que utilizam elementos para restringir certos comportamentos nos espaços públicos, dificultar o acesso e a presença de pessoas, especialmente pessoas em situação de rua. Segundo o historiador especializado em arquitetura Iain Borden, citado pelo repórter Ben Quinn, a emergência deste estilo de arquitetura hostil data da década de 1990, nas gestões de um desenho urbano que sugere, segundo suas palavras, “que só somos cidadãos se estamos trabalhando ou consumindo bens diretamente”. Isto é, não trabalhar e não consumir quer dizer não poder estar presente como cidadão de uma cidade.

Há diversos exemplos de construções e objetos que podem “afastar ou excluir pessoas ‘indesejáveis ’”: cercas elétricas, arames farpados, grades no perímetro de praças e gramados, bancos públicos com larguras inferiores ao recomendado pelas normas de ergonomia, bancos curvados ou ainda assumindo geometrias irregulares, lanças em muretas e guarda-corpos. À medida que a arquitetura hostil afasta pessoas deixando áreas desertas, retroalimenta-se a sensação de insegurança urbana.

SAYURI, J. O que é arquitetura hostil e quais suas implicações no Brasil.





ENUNCIADO




Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa e apresentando proposta(s) de solução(ões), sobre o tema:



Arquitetura hostil: entre a busca pela ordem e a segregação social



“Desafios para a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro”



Texto I

Um incêndio de grandes proporções destruiu o acervo do Museu Nacional, na zona norte do Rio de Janeiro, em 2 de setembro de 2018. Especializado em história natural e mais antigo centro de ciência do País, o Museu Nacional completou 200 anos em junho em meio a uma situação de abandono. Não houve feridos. O diretor de Preservação do Museu Nacional do Rio de Janeiro, João Carlos Nara, afirmou que o incêndio causou um “dano irreparável” ao acervo e às pesquisas nacionais. De acordo com Nara, a equipe de administração do Museu Nacional aguardava o fim do período eleitoral para iniciar as obras de preservação da infraestrutura do prédio. “É tudo muito antigo. O sistema de água e o material, tudo tem muitos anos. Havia uma trinca nas laterais. Isso é uma ameaça constante”, disse o diretor. O Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é a mais antiga instituição científica do Brasil e um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas. Serviu como Palácio da família real portuguesa entre 1808 a 1821. O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938.


TEXTO II


@NovaEscola, 17 ago. 2015. Disponível em: https://www.facebook.com/story.php?story_fbid=1015689548470777&id=110225312350543&_rdr. Acesso em: 02 abr. 2025.

Texto III

O Artigo 216 da Constituição Federal de 1988 conceitua patrimônio cultural como sendo os bens “de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

Nessa definição promovida pela Constituição, estão as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Patrimônio cultural. Iphan, [s.d.]. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/218. Acesso em: 27 mar. 2025.

Texto IV

Preservar o patrimônio histórico é uma preocupação global de extrema importância para salvaguardar a história e a cultura de uma sociedade. O patrimônio histórico representa um registro vívido do passado de uma sociedade, capturando sua história, cultura e desenvolvimento ao longo do tempo. Entretanto, a preservação desses bens enfrenta complexidades em um mundo em constante mutação. Um dos principais desafios na conservação do patrimônio histórico é a pressão decorrente da urbanização e do desenvolvimento. À medida que as cidades expandem e evoluem, muitos edifícios históricos enfrentam o risco de demolição ou modificações significativas para atender às demandas modernas. A conservação do patrimônio histórico não deve ser vista apenas como responsabilidade de autoridades e especialistas. A comunidade desempenha um papel fundamental na proteção de seu próprio patrimônio cultural. Conscientização pública, educação e envolvimento ativo da comunidade são elementos-chave para garantir a conservação a longo prazo.

Conservação do Patrimônio Histórico: desafios e estratégias para um futuro sustentável. Ingá Arquitetura e Restauro, 20 out. 2023. Disponível em: https://www.inga.arq.br/conteudo/inga-escreve-blog/Conservacao-Patrimonio-Historico-desafios-estrategias-futuro-sustentavel. Acesso em: 27 mar. 2025. Adaptado.

Texto V

Para a preservação do patrimônio histórico, há o desafio de analisar a relevância de um bem material ou imaterial a ponto de ele ser tombado para preservação. Esse processo demanda uma reflexão sobre o aspecto da identidade cultural local ou nacional, segundo a professora Silvia Maria do Espírito Santo, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e especialista em Museologia. “As identidades não são fixas, elas se adaptam a contextos culturais, políticos e principalmente econômicos, o que pode ameaçar a continuidade e a integridade dessas identidades.”

“O desprezo à nossa cultura e memória das coisas se caracteriza, antes de tudo, por uma pragmática da destruição. Essa forma de pensar é muito utilizada para caracterizar o adjetivo modernizar, envolve procedimentos que adotam a solução fácil”, afirma a especialista. Mas, para a professora, a preservação da identidade cultural de um povo pode ser alcançada através da conservação do patrimônio histórico que incorpora valores estéticos, éticos e artísticos de uma sociedade.

Segundo a professora, um dos principais desafios para a preservação dos bens culturais são as leis que protegem os patrimônios tombados. Silvia analisa a importância de uma legislação eficaz, que possa ser cumprida com o envolvimento da população e a vigilância das comunidades.

VALERI, J. O Brasil precisa de legislação atualizada para a proteção do seu patrimônio cultural. Jornal da USP, 26 jun. 2024. Disponível em: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/o-pais-precisa-de-legislacao-atualizada-para-a-protecao-do-seu-patrimonio-historico-e-cultural-do-pais-precisa-de-legislacao-atualizada/.

Acesso em: 27 mar. 2025. Adaptado.

ENUNCIADO

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Desafios para a preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Redação do mês de maio





Texto I

Para entender gentrificação imagine um bairro histórico em decadência, ou que apesar de estar bem localizado, é reduto de populações de baixa renda, portanto, desvalorizado. Lugares que não oferecem nada muito atrativo para fazer… Enfim, lugares que você não recomendaria o passeio a um amigo.

Imagine, porém, que de um tempo para cá, a estrutura deste bairro melhorou muito: aumentou a segurança pública e agora há parques, iluminação, ciclovias, novas linhas de transporte, ruas reformadas, variedade de comércio, restaurantes, bares, feiras de rua… Uma verdadeira revolução que traria muitos benefícios para os moradores da região, exceto que eles não podem mais morar ali.

É que, depois de todos esses melhoramentos, o valor do aluguel dobrou, a conta de luz triplicou e as idas semanais ao mercadinho da esquina ficaram cada vez mais caras, ou seja, junto com toda a melhora, o custo de vida subiu tanto que não cabe mais no orçamento dos atuais moradores. E o mais cruel de tudo é perceber que, enquanto o antigo morador procura um novo bairro, pessoas de maior poder aquisitivo estão indo morar no seu lugar.A gentrificação se apoia no discurso de “obras que beneficiam a todos” e não são motivadas pelo interesse público, mas sim pelo interesse privado, esse relacionado à especulação imobiliária. O processo é simples: suponha-se que o preço de venda de um imóvel num bairro degradado seja 80 mil. Porém, se este bairro estivesse completamente revitalizado, o mesmo imóvel poderia valer até 200 mil. Há, portanto, uma diferença de 150% entre o valor real e o valor potencial do mesmo imóvel. É exatamente nessa diferença que os investidores imobiliários enxergam a grande oportunidade para lucrar muito investindo pouco.

E De fato, existem especialistas que não “criminalizam” a gentrificação, por acreditar que esse é um processo decorrente da chamada “Sociedade Pós-Industrial”, na qual as relações capitalistas de consumo (demanda) ditam as relações de produção (oferta), e essa é uma condição natural e irreversível do nosso tempo. Estudos recentes realizados nos Estados Unidos, por exemplo, apontam que nem todos os moradores antigos de bairros gentrificados foram “expulsos” por conta da valorização imobiliária, mas, ao contrário, alguns conseguiram, por causa da gentrificação, ampliar suas rendas.

O debate é polêmico. No entanto, desconfiamos que a gentrificação é potencialmente mais nociva que saudável. Por se tratar de um processo típico de especulação imobiliária, a gentrificação precisa de muito investimento e respaldo do poder público para atender a uma demanda de interesse privado. Assim, a cidade, enquanto “coisa pública”, passa a ser planejada de acordo com a vontade do interesse privado, o que não necessariamente corresponde à vontade da população como um todo.



Emmanuel Costa. “O que é gentrificação e por que você deveria se preocupar com isso.” 04/04/2016. https://jornalggn.com.br/cidadania/. Acesso em: 10.09.2024. Adaptado.

Texto II

A gentrificação tem se tornado cada vez mais presente nas discussões sobre a ocupação urbana dos bairros nas cidades. É comum associar a transformação de determina das regiões, especialmente as mais antigas, a uma espécie de “gourmetização” dos espaços. Embora a premissa da gentrificação implique na renovação de áreas urbanas antes negligenciadas, essa transformação não ocorre sem consequências. Um dos principais aspectos controversos é a expulsão dos moradores originais, muitas vezes de baixa renda, que não conseguem acompanhar o aumento dos custos de moradia e estilo de vida impostos pelas mudanças.

Por um lado, a gentrificação pode trazer melhorias e renovação para áreas urbanas que antes estavam em declínio. O investimento de capital e a chegada de novos moradores com maior poder aquisitivo podem impulsionar a economia local, gerar empregos e melhorar a infraestrutura. Por outro lado, o encarecimento dos aluguéis e dos imóveis acaba por forçar as pessoas da comunidade a se mudarem para áreas mais afastadas, afetando o seu acesso à cidade e aos serviços. Essa realidade pode gerar segregação e aprofundar as desigualdades sociais. Há também os impactos ambientais. Um dos efeitos comuns é a redução das áreas verdes nos bairros, à medida que espaços abertos e parques são substituídos por construções densas.



“Gentrificação: a gourmetização do espaço urbano. Com impactos cada vez mais evidentes nas cidades, a gentrificação demanda soluções que conciliem desenvolvimento urbano e inclusão social”. Habitability. Acesso em: 01.06.2023. Adaptado.

Texto III

A aposentada Maria Juracy Aires, 69 anos, resiste a vender seu imóvel pois, quando entra no seu apartamento, em Curitiba, diz que seu sentimento é de afeto. Sua moradia vem sendo gradualmente depredada desde que uma construtora comprou todos os outros apartamentos do prédio no valor aproximado de R$350 mil. Maria Juracy Aires também recebeu propostas de compra, mas nunca demonstrou interesse em vender o seu apartamento, onde prefere desfrutar da sua aposentadoria. Sua história, segundo afirma, não está à venda. “O capitalismo é selvagem. Ele não respeita ninguém”, comenta.



Jess Carvalho. “Em ‘Aquarius’ da vida real, família protesta contra construtora que abandonou prédio no Cabral”. Plural Curitiba. Acesso em: 21.04.2024. Adaptado.



ENUNCIADO

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa e apresentando proposta(s) de solução(ões), sobre o tema:



A gentrificação urbana: entre os benefícios para as áreas urbanas e os malefícios para os moradores.

Redação do mês de maio





Texto II

Em pleno século XXI, o racismo e a discriminação racial ainda estão presentes na sociedade e nas relações de trabalho. “Quando essa prática se dá nos ambientes de trabalho, a Justiça do Trabalho atua, aplicando a lei. Quando comprovado o racismo, podem ser estabelecidas multas e sanções para o empregador que admite esse tipo de conduta e definidas indenizações”, descreve a presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministra Maria Cristina Peduzzi.

De acordo com o Observatório da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades no Trabalho da Smartlab, plataforma conjunta da OIT com o Ministério Público do Trabalho (MPT), há uma diferença de remuneração relacionada a sexo e raça no setor formal. Enquanto a média salarial de um homem branco, em 2017, foi de R$ 3,3 mil e a de uma mulher branca foi de R$ 2,6 mil, a de homens e mulheres negros foi de R$ 2,3 mil e R$ 1,8 mil, respectivamente. Também houve segregação ocupacional de negros em cargos de direção – estes compunham apenas 29% dos cargos. Segundo o IBGE, em 2019 os pretos ou pardos representavam 64,2% da população desocupada e 66,1% da população subutilizada. Além disso, o número de trabalhadores negros em ocupações informais era de 47,3%, enquanto o de brancos era de 34,6%.

O combate a todas as formas de discriminação é um dos objetivos fundamentais do Brasil, cristalizados no artigo 3º, inciso IV, da Constituição da República. Em relação ao ambiente laboral, o artigo 7º, inciso XXX, da Constituição da República proíbe diferenças salariais por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.

SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO DO TST. “Discriminação racial no ambiente de trabalho”.

Notícias do Tribunal Superior do Trabalho, 20 nov. 2020 Disponível em: https://tst.jus.br/-/especial-discrimina%C3%A7%C3%A3o-racial-no-ambiente-de-trabalho.

Acesso em: 25 fev. 2025. Adaptado.

ENUNCIADO

Imagine que você é um jornalista que, navegando pelas redes sociais, recentemente se deparou com o post do texto I no perfil de um órgão governamental especializado em questões relacionadas a direitos trabalhistas. O depoimento lido faz parte de uma série de vários outros enviados por pessoas negras ao perfil, as quais buscavam denunciar episódios de racismo vividos em seus ambientes de trabalho.

Para entender mais sobre o assunto, você decide fazer uma pesquisa na internet e chega ao texto II, o qual te causa indignação, já que você percebe que, embora existam diferentes leis para proteger trabalhadores negros, eles ainda são discriminados de diferentes formas. Por isso, você decide escrever um artigo de opinião para ser publicado no jornal em que você trabalha sobre racismo no local de trabalho, denunciando uma situação recorrente no Brasil.



Para escrever seu texto, você deve:

a) Explicar o que é racismo no local de trabalho;

b) Dar dois exemplos de como ele pode acontecer;

c) Sugerir uma forma de o problema ser evitado.



Para configurar adequadamente o gênero, lembre-se de:

d) Escrever seu texto em primeira pessoa;

e) Posicionar-se claramente sobre o tema;

f) Apresentar ao menos dois argumentos que sustentem seu posicionamento;

g) Empregar uma linguagem formal e adequada à norma-padrão da língua portuguesa.



Gênero Textual:

2º série – Proposta 4 – Artigo de opinião

Redação do mês de setembro

PROPOSTA DE REDAÇÃO Proposta de produção de texto dissertativo-argumentativo modelo Enem sobre “Combate ao trabalho infantil no Brasil” COLE...